O que é o Plus Size?

*Post produzido por Nanny Cox 

Como contamos na terça-feira, no último final de semana rolou em São Paulo o Pop Plus, um evento voltado à moda Plus Size. Nele, foram promovidos diversos bate-papos não só sobre a moda Plus Size, mas o corpo gordo no mercado de trabalho e na cultura pop. O primeiro debate, como expliquei anteriormente, foi tão interessante que eu tive que fazer um post a parte sobre ele. A mediadora foi a Rafa Coelho, do site Das Plus e as convidadas foram a Glenda Cardoso, do blog Curvilíneos, e a Patrícia Assuf Nechar, doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo.

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Como a Patrícia faz uma pesquisa sobre o corpo Plus Size, ela soube explicar direitinho quando nasceu o movimento e o que é, de fato, o Plus Size. Segundo ela, a pioneira no movimento foi a Fluvia Lacerda. Para quem não sabe, a Fluvia foi descoberta no começo do século XXI por uma agência de modelos Plus Size norte-americana. Em 2009 ela veio para cá com a assessora e promoveu uma verdadeira mudança no mercado do vestuário, “e eles começaram a perceber que tinha essa lacuna gigantesca na moda Plus Size”, segundo a Patrícia. Para vocês terem uma ideia, esse termo já era usado nos Estados Unidos desde 1970!

Vamos “começar do começo”… vocês já pararam para pensar no que significa a palavra “gorda”? Segundo a Patrícia, existem diferentes significados e significantes. Aí você pergunta: que? O que isso significa? Significa que a palavra evoca uma imagem diferente na cabeça de cada pessoa. A imagem que a palavra gorda desperta na mente da fulana não é a mesma que surge na cabeça da sicrana. E isso, meus caros, faz com que a definição do gordo e do Plus Size seja muito mais complicada. Como a Patrícia ressaltou, “é difícil você chegar e falar: tal pessoa é gorda. É gorda em relação a quem? Gisele Bundchen? Fluvia Lacerda?”.

Vamos começar pelo fato de que não existe a palavra Plus na língua portuguesa. Existe na França, Alemanha, Estados Unidos… mas nada de Brasil. A Patrícia explicou que o perfil da palavra Plus Size que ela usa durante os estudos é a “questão de adição, de soma, de pluralidade, de diversidade, de agregar pessoas, de agregar coisas. É o adicionar, é o adicional. O Plus é isso! Como fenômeno cultural e social… é agregar”.

No entanto, as três integrantes da mesa do bate-papo lembram que existe segregação mesmo dentro do universo Plus Size. Eis que surge o padrão gordo midiático, ou seja, o corpo gordo aceito na televisão, nas revistas, nos desfiles de moda (sim, tivemos modelos Plus Size no último NYFW) e outros veículos. É uma gorda sem barriga, sem muita celulite, com perna firme e que ao ser veiculado não causa tanto estranhamento. Se essas modelos ganham espaço na indústria da moda “convencional”, imagina o espaço delas na moda Plus Size?!

Claro que não podemos segregar essas mulheres que também são maravilhosas e talentosas, mas precisamos de mais representatividade. A Glenda Cardoso lamentou a falta de modelos acima do 54 em campanhas de marcas de roupas Plus Size e deu uma dica: “são vários biotipos, são vários corpos diferentes do que só a ampulheta – que é essa figura midiática da gorda-. Uma mulher oval,  muito comum entre as mulheres gordas, você não vê. Apostem em mulheres maiores! Ao invés de ter só uma modelo coloque duas, coloque três! Represente diversos biotipos e diversos tamanhos. Por que não colocar uma modelo 60?”.

Assim como as mulheres magras, as gordas querem se identificar naquelas imagens de mulheres sexys, poderosas e seguras. Isso só não acontece (ou acontecia?!) por causa da forma negativa como é tratada a gordura na nossa cultura. Por isso, a representação das mulheres gordas/Plus Size e suas variações são tão importantes.

Durante a palestra, uma estudante de moda comentou sobre a falta de representatividade para as adolescentes. Blogueiras de moda Plus Size normalmente estão para lá dos seus 20 anos (a Ju Romano, por exemplo, tem 27) e se vestem de uma forma mais “adulta”. A Glenda ressalta que a cobrança emocional por causa do corpo gordo faz com que as meninas não queiram se mostrar: “talvez elas consigam encontrar a auto estima delas já com 20 e poucos anos”. E isso é péssimo, não é?! A adolescência por si só já é uma época de turbilhões emocionais. Imagina se pudéssemos subtrair dessa conta a insatisfação com a própria imagem?!

Os tempos mudaram. O movimento Plus Size foi potencializado pela internet. As mulheres não aceitam propaganda enganosa e não querem caber nas roupas, pois são as roupas que devem caber. Já existem movimentos que querem abolir a palavra “Plus Size”, inclusive. No entanto, a Glenda defendeu que o Brasil ainda precisa desse termo, “porque o nosso mercado ainda não entrou em estado de maturação. Ele está começando, engatinhando. Então o termo ainda é muito necessário, precisa ser usado para as pessoas entenderem, criarem conhecimento, estudos científicos… tudo nesse sentido para esse público, para essas pessoas que estão dentro do movimento”.

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Para concluir o bate-papo, a Rafa Coelho, que era a mediadora, pediu que as convidadas definissem o Plus Size. A Patrícia, que está fazendo apenas um trabalho de doutorado sobre o tema, deu uma definição super bacana:

“Entende-se como uma riqueza adicional. O significado do Plus Size não se limita somente a um número e também é relacionado aos movimentos sociais que se formam a partir de pessoas que possuem um perfil diferenciado de corpo. São pessoas e grupos que buscam à sociedade a inclusão de padrões corporais mais amplos. Militam a favor de uma aceitação em relação ao tamanho de seu corpo. Discutem sobre segregação e o estigma do corpo estereotipado de tal forma que questionam sobre os modelos corporais apresentados os meios midiáticos como revista, televisão e internet. São essas pessoas que se dedicam com fervor para que a sociedade perceba que independentemente de possuir um corpo gordo, este é capaz de exercer funções física e intelectuais como qualquer outra pessoa preparada para tal, de maneira que seu caráter não muda em relação ao seu peso e principalmente que seu corpo é tão belo como um outro qualquer”.

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